A 2ª edição do Festival de Maracatu de Maringá – Femara continua as atividades nos próximos dias 14, 15 e 16 de dezembro, para divulgar e manter viva a história e os fundamentos de um dos mais antigos ritmos afro-brasileiros, o Maracatu.

+ Circular Pocket:  Festival de Maracatu traz mestres e Ogans pernambucanos a Maringá

Para esta segunda parte do festival, o grupo Maracatu Ingazeiro, financiado
pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura – Prêmio Aniceto Matti, traz o Mestre da Nação de Maracatu Porto Rico, Chacon Viana; a batuqueira Lany da Oxum (da Nação Porto Rico, Nação Encanto do Pina e do Grupo Baque Mulher Recife), o Ogan Deivson Santana (Encanto do Pina e Porto Rico), a Dama-do-Paço Soiane Gomes (Nação Porto Rico e batuqueira do Baque Mulher Salvador) e a Calunga Elizabeth, a Madrinha da Nação Porto Rico – pela primeira vez no Sul do País.

“É importante manter esse projeto no interior do Paraná, porque o mundo todo está tocando Maracatu. Então, para a gente aqui das Nações, é motivo de muito orgulho ser representado pelo Ingazeiro, que levanta essa bandeira”, acrescenta Mestre Chacon Viana.

Na sexta-feira (14), a programação do festival inclui a Oficina do Encanto Do Pina, com Ogan Deivson Santana, na Vila Olímpica (Térreo do Restaurante Popular), 09h às 11h30 e 15h às 19h, e Oficina Na Gira Com a Calunga, com a Dama-do-Paço Soiane Gomes, no Centro Comunitário Centro Comunitário Pioneiro Orlando França (Jd. Alvorada), das 21h30 às 23h.

Já no sábado (15), o dia será aberto com a mesa “Maracatu Ingazeiro recebe Calunga Elizabeth, a Madrinha da Nação Porto Rico”, com a presença de Mestre Chacon Viana, Soiane Gomes, Deivson Santana e Lany da Oxum, no Casa de Cultura Alcídio Regini (Jd. Alvorada), das 9h às 10h30.

Também chamada de boneca, a Calunga faz parte do ritual do maracatu há séculos, encarnando nos seus axés a força dos antepassados do grupo. Em sua honra são cantadas, ainda dentro da sede, as primeiras loas (cantos), quando a Calunga é retirada do altar pela Dama-do-Paço e passa às mãos da rainha, que a entrega à baiana mais próxima e assim se sucede, de mão em mão até retornar novamente às mãos da soberana.

“Para nós, do Maracatu Ingazeiro, que temos o grupo há oito anos e fazemos tudo com fundamento e responsabilidade, é muito importante receber a Madrinha da Nação Porto Rico, Calunga Elizabeth. É sempre bom receber os mestres, porque a gente bebe da fonte aqui na nossa casa. Receber uma boneca Calunga é uma grande honra e um privilégio, pois são poucos que conseguem. Vai ser um momento especial, com certeza. Cercado de muita história e bastante conhecimento para acrescentar”, destaca João Guilherme Furlan, coordenador geral e líder do Maracatu Ingazeiro, também organizador do Femara.

As oficinas do dia 15 acontecem no Centro Comunitário Pioneiro Orlando França (Jd. Alvorada), a partir das 10h30. São elas: Oficina Baque Geral Nação Porto Rico, das 10h30 ao meio dia, e Oficina Naipes Separados, das 14h30 às 16h30. A segunda conta com aulas separadas por instrumentos, orientados por cada um dos convidados: Lany + Soiane (Agbês), Mestre Chacon (Alfaias e Caixas) e Deivson (Timbal e Gongue).

Para finalizar o sábado, também no Centro Comunitário Pioneiro Orlando França (Jd. Alvorada), será realizada a primeira oficina do repertório de Carnaval da Nação Porto Rico fora de Recife, das 16h30 às 18h30. E por fim, o grupo maringaense Anjos da Guarda (Bumba Meu Boi) realizará, das 20h30 às 21h, a cerimônia de encerramento Morte do Boi, seguida de discotecagem do DJ Ed Groove até às 23h.

No domingo (16), mais uma vez será realizada a oficina do repertório de Carnaval da Nação Porto Rico, no gramado do Centro Comunitário Pioneiro Orlando França (Jd. Alvorada), das 10h ao meio dia. Na Praça da Catedral, o festival encerra as atividades com um cortejo, das 15h às 18h. Todas as atividades são gratuitas!

Para nos adiantar um pouco e entender mais do que será apresentado durante o fim de semana, conversamos com o Mestre Chacon Viana, filho da Rainha da Nação do Maracatu Porto Rico, Dona Elda Viana.

– Qual a importância de um festival de Maracatu aqui no interior do Paraná, onde essa cultura ainda é bem desconhecida?

A cultura do Maracatu está no Brasil todo, no mundo inteiro. A grande importância é a manifestação candomblecista, cultural e pernambucana, que hoje é um patrimônio imaterial do Brasil. Importância para gente é ver o quanto o Brasil é forte e contar a verdadeira história, dentro desse processo do Maracatu, dos grandes cortejos do Rei Congo, da própria história do
Brasil.

É importante manter esse projeto no interior do Paraná, mesmo que não seja tão forte, que seja meio desconhecido, porque o mundo todo está tocando Maracatu. E estamos felizes por estar bem representados pelo Ingazeiro, que levanta essa bandeira.

– E para um local onde essa cultura é pouco conhecida, como o senhor poderia explicar o maracatu?

Mesmo sem entender um pouco da cultura do Maracatu, as pessoas têm que entender que é uma manifestação cultural, claro, mas de cunho bem candomblecista. Vem diretamente dos povos de terreiro, Nagô, é uma essência muito religiosa, muito sagrada, com muita responsabilidade.

Esse manifesto do Maracatu é o que mais trabalha as histórias orais, da
oralidade dos terreiros de candomblé. Maracatu é o candomblé na rua, eu costumo colocar sempre isso. Candomblé é uma manifestação de muita pegada, muita responsabilidade, e tem uma importância para o celeiro da história oral do Brasil muito forte.

– Qual a importância da dama do paço no Maracatu e o significado da boneca Calunga?

Soiane Gomes (Dama-do-Paço da Nação Porto Rico) é uma menina baiana, também ligada aos povos de terreiro, de uma responsabilidade muito grande. Apareceu na Nação (Porto Rico) e ganhou nossa admiração e nosso carinho, porque se trata de uma pessoa de muita responsabilidade. Dama-do-Paço tem uma responsabilidade muito forte, porque é ela que leva nossa Calunga, a Calunga de cera e madeira, que é uma das bases de maior importância do
Maracatu.

A Dama-do-Paço é a escrava da Calunga, então para poder ser Dama-do-Paço a pessoa tem que ter um compromisso muito grande. Graças aos orixás, graças a Deus, esse compromisso, foi abraçado por Soiane, pessoa que a gente tem muito e carinho. Com certeza a Nação Porto Rico vai estar muito bem representada.

– O senhor é mestre da Nação Porto Rico. Poderia me contar um pouco da história da Nação?

A Nação Porto Rico tem a última rainha coroada dentro da Igreja do Rosário dos Pretos, a minha mãe Elda Viana, filha de Oxóssi. Depois dela, não existiu mais coroação dentro da igreja, foi proibida pelo Clero.

A Nação Porto Rico foi fundada em 1916, nasceu em Palmares, Palmeirinha, no interior de Pernambuco. Tudo começou com uma toada de batuques que acontecia em Palmeirinha, nos portos, onde ficavam as pequenas e as grandes embarcações.

As barquetes eram chamadas de “porto pobre”, onde tinham embarcações de pescadores. As grandes embarcações eram chamadas de “porto rico”, onde tinham grandes empresários donos dessas embarcações. Todos os eventos aconteciam no “porto rico”. Essa brincadeira foi ficando séria e virou o Porto Rico, que é o baque das ondas no mar, representado pelo orixá Ogum Tayó, nas cores verde, vermelha e branca, campeã de vários Carnavais.

A Nação Porto Rico já viajou o mundo inteiro, fez vários países. Desde 1989 que viajamos pelo interior. Situado em Recife (PE), Comunidade do Bode, com todo axé do Ilê Oxóssi Guangobira.

COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

ALTERNATIVA festival #tanarede

Festival #tánarede movimenta o fim de semana em Maringá

Em quase 4 horas de programação gratuita, o evento vai transmitir apresentações de slam, teatro/performance, a dança e música
POCKET

“Bafo de Gralha”: 15º espetáculo da CiaSenhas terá apresentação gratuita em Curitiba

Espetáculo estreia dia 29 de janeiro na Alfaiataria
POCKET

Bacurau terá sessão única em Maringá nesta quinta-feira (28)

Filme não entrou no circuito dos cinemas e terá sessão gratuita na cidade
POCKET

Semana do Hip Hop conta com participação de artistas de street art em três pontos da cidade em Maringá

Evento começa hoje (20) e vai até domingo, com quase 20 eventos gratuitos de dança, música, grafiti e poesia.