Espetáculos, performances e oficinas. A terceira edição da Só em Cena – Mostra de Solos e Monólogos traz 10 apresentações gratuitas entre os dias 9 e 18 de novembro, divididas entre o Teatro Calil Haddad, Teatro Barracão, Teatro Reviver, Praça da Catedral, Aplausos Centro Artístico e Arena das Artes, todos em Maringá. No fim de cada peça, haverá bate-papo entre artistas e plateia.

A curadoria do festival foi feita seguindo o mesmo princípio das duas edições anteriores: buscar a diversidade geográfica e trazer artistas e espetáculos de vários lugares do país, com estilos e linguagens diferentes e que trabalham com temas que a produção considera importante discutir.

“A gente procura trazer espetáculos de artistas que acompanhamos a trajetória e que vem desenvolvendo um trabalho ao longo do tempo. Tendo todo o cuidado de também ter uma representação local, de artistas maringaenses, que esse ano serão representados por quatro performers”, explica a jornalista e produtora cultural Rachel Coelho, responsável pela curadoria e produção do projeto.

A estreia da Só em Cena já começa com um espetáculo para todos os públicos. “Calango deu! Os causos da dona Zaninha” é uma comédia que surgiu por uma pesquisa da carioca Suzana Nascimento, que foi até o interior de Minas Gerais para dar vida à Dona Zaninha, uma genuína contadora de causos.

“É um trabalho que tem cheirinho de café! Tem música ao vivo com bandolim e contação de histórias. É uma personagem com quem ela já trabalha há bastante tempo, mas é a primeira vez que ela vem pro sul do país e estão bem felizes de chegar até aqui”, comemora Rachel.

E pela primeira vez haverá um espetáculo internacional no cronograma do festival. O moçambiquenho Klemente Tsamba, que vive em Portugal, vem com sua peça “Nos tempos de Gungunhana”, que já está circulando por diversos festivais teatrais do Brasil. O espetáculo é um resgate da história oral, uma espécie de contação de histórias de autores de Moçambique do final do século XIX, tempo do imperador Gungunhana.

“A gente está muito feliz de estrear essa internacionalização da Só em Cena. Não sabemos se vamos conseguir manter isso para as próximas edições e nem temos essa pretensão de se autointitular internacional. Porém é sempre bacana ter a oportunidade de ver e ter essa troca com um artista de outro país, mas que fala português e está próximo da nossa cultura”.

+ Circular TV: Veja como foi a Só em Cena: Mostra de Solos e Monólogos 2017.

Produção cultural é persistência

A mostra já trouxe para Maringá cerca de 25 espetáculos de outras cidades/estados e basicamente o mesmo número de apresentações locais durante as últimas edições. A intenção é sempre a de aumentar a oferta de opções culturais, além de melhorar a cena cultural da cidade e região, o que é um desafio .

Essa 3ª edição ainda está em fase de captação de recursos por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet) e busca apoiadores interessados em ajudar na viabilização. Para saber mais, entre em contato pelo e-mail doiscoelhos.projetos@gmail.com.

Rachel acredita que  seguir fazendo todos os esforços para dar continuidade aos projetos culturais é sua missão.

“Eu continuo na minha militância e isso acontece no encontro, muito mais que no discurso. É no evento teatral que a gente consegue passar uma mensagem para as pessoas por meio da arte e promover a reflexão, o debate, a troca, o intercâmbio e a construção de laços. A arte é um meio de transformação muito poderoso, que infelizmente não é palpável. Não conseguimos descrever pois acontece de uma maneira diferente para cada pessoa, mas acontece. E eu acho que é por isso que a gente insiste. A gente resiste. Arte é resistência”.

Confira a programação completa:

 

9 de novembro

Calango deu! Os causos da dona Zaninha

(Suzana Nascimento/Cia Caititu – Rio de Janeiro / RJ)

Local: Teatro Calil Haddad | Horário: 20h

Foto: Lara Cosan

Dona Zaninha é uma guardiã de ricos acervos de memórias – uma genuína contadora de causos – hilária por seu jeito e seu linguajar, mas profunda com suas “sabências” sobre o tempo. Além de contar surpreendentes causos de amor, de assombração, de padres e beatas, a personagem também convida a plateia a cantar com seu bandolim, enquanto ensina uma receita ou simpatia. Entre um cafezinho e uma boa cachaça mineira, Dona Zaninha nos conduz a outras paragens, verídicas – da atriz mineira e seus relicários – ou fantasiosas, mas recheadas de humor, poesia e memória.


10 de novembro

sertãohamlet

(Guido Campos – Goiânia / GO)

Local: Teatro Barracão | Horário: 20h

Foto: Layza Vasconcelos

O espetáculo completa uma trilogia de solos com o tema SERTÃO. A pesquisa foi realizada no sertão do nordeste, na região do Cariri (Ceará), tendo como ponto de partida o personagem clássico “Hamlet” de Shakespeare e o mito de “Lampião”. Um personagem fictício e outro real. Em comum, a vingança: ambos tiveram o pai assassinado. Pretexto para trazer à cena pessoas do dia a dia – como Edilânia, moça simples que sonha com o amor perfeito; a Beata Luiza, símbolo da religiosidade do sertão; Juvêncio, contador de cordel e o próprio ator Guido, personagem de si mesmo.


11 de novembro

O lançador de foguetes

(Luciano Wieser – Grupo De Pernas pro Ar – Canoas / RS)

Local: Praça da Catedral | Horário: 17h

Foto: Odair Fonseca

O protagonista desta história procura um lugar ideal em que possa convergir o espaço físico e a energia do público, elementos essenciais à excelência de sua experiência dita científica. Em suma, o excêntrico personagem recorre a alguns princípios da física quântica (a física das possibilidades) para mostrar que o pensamento também é energia que se materializa. Deslocando-se com destreza pelo espaço ao ar livre com seu triciclo recheado de elementos cênicos, o sujeito calcula os fenômenos físicos que podem interferir nessa jornada. Utiliza malabares circenses como o diabolô (modalidade também conhecida como uma evolução do ioiô) e inventa engenhocas astrológicas para medir as distâncias, calcular o vento e sentir as energias. Para tanto, o personagem está em busca de outros parceiros para a empreitada. Após computar todas as informações, em meio a uma trilha sonora empolgante e curiosa, finalmente lança seus foguetes no ar. Na ocasião, leva também o público a sorrir e se emocionar com as possibilidades de transformação.

Cárcere

(Vinícius Piedade – São Paulo / SP)

Local: Teatro Reviver | Horário: 19h

Foto: Tati Wexler

Uma reflexão sobre a liberdade pelos olhos de um pianista privado da sua liberdade e de seu piano. Cárcere mostra uma semana na vida de um pianista que, estando no cárcere, será refém numa rebelião iminente. Ele vive em ritmo de contagem regressiva e suas expectativas, impressões, lembranças, reflexões e sensações são expressas num diário que inicia numa segunda-feira e termina quando estoura a rebelião, um domingo.


12 de  novembro

Nos tempos de Gungunhana

(Klemente Tsamba – Moçambique/Portugal)

Local: Arena das Artes | Horário: 20h
Parceria com o projeto Escala Cultural

Foto: Margareth Leite

Nos tempos de Gungunhana é baseada na tradição oral dos contadores de histórias africanos, onde um único elemento se desdobra em vários personagens para, com a cumplicidade do público, retratar alguns episódios mágicos paralelos à vida do célebre rei tribal moçambicano Gungunhana. Nos tempos de Gungunhana é um conjunto de histórias dentro de uma história, uma obra que parte de um tempo histórico e de uma cultura particular para depois seguir numa viagem universalista e sem fronteiras. Era uma vez um guerreiro da tribo tsonga chamado Umbangananamani, que fora casado com uma linda mulher da tribo Macua, de nome Malice. Não tiveram filhos, mas tentaram muito. Este é o mote que dá início ao grande karingana ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro, mas que muito rapidamente se vai transformar numa sequência de outros pequenos karinganas que relatam aspectos curiosos ligados à vida na corte do rei Gungunhana, onde a crueldade e as mortes por vezes se misturam com o humor, em cada karingana contado e cantado com a graça dos ritmos tradicionais africanos. Mas este karingana, não tem nada a ver com Gungunhana! Voltemos então à história: Karingana wa Karingana!


13 de novembro

Ícaro

(Luciano Mallmann – Porto Alegre / RS)

Local: Teatro Barracão | Horário: 20h
*Com interpretação de libras*

Foto: Fernanda Chemale

Ícaro é um monólogo teatral formado por depoimentos ficcionais de pessoas cadeirantes, construído a partir da visão, experiências e percepções sobre a deficiência do autor e ator Luciano Mallmann, que também se tornou um lesado medular ao sofrer um acidente.


14 de novembro

Violetas

(Mayra Montenegro – Cia Violetas – Natal / RN)

Local: Teatro Barracão |  Horário: 20h
*Com interpretação de libras*

Foto: Rafael Passos

Quem foram/quem são essas guerreiras do lar? Sonhadoras anônimas que realizam cotidianos atos de amor/heroísmo? Essa é a história da vovó Wilma, mas também é a história da Neuma, Rosilda, dona Maria, tia Santinha, Mayra, Eleonora e de tantas outras. Como remendar a própria alma? Como ser esteio durante toda a vida, sem nos esquecer também viventes? Para nos remontar ou nos reorganizar, precisamos nos desmontar e redescobrir, em meio às dores e feridas abertas. “Violetas” é uma reflexão, uma memória de esperança, de amor e lealdade, buscando um movimento que nos ajude a passar de vítimas à autoria de nós mesmas, não admitindo mais que nos sejam podados os sonhos.


15 de novembro

Roteiro Performativo

Local: Teatro Reviver |  Horário: 20h

Desfrute

Ludmila Castanheira (Maringá / PR)

Foto: Divulgação

Desfrute tem o desejo de promover convívio, partilhar solidão, ficar na presença do outro, habitar juntes. O registro fotográfico funciona como testemunha de um pacto, que só é exposto mediante o acordo das pessoas envolvidas. É uma ação emergencial, como um pára-quedas: disparada em períodos difíceis. Com ela, a artista convida a dividir vícios, talvez algumas histórias, e o tempo.

Oxalá Erê

PC (Maringá / PR)

Foto: Divulgação

A paciência conhecida de Oxalá associada à infância são convidadas a essa performance interativa em que cada pessoa será provocada a (re)pensar suas (i)maturidades infantis e, talvez, revivê-las.

Tô na rua

Galathea X (Lua) (Maringá / PR)

Foto: Divulgação

Cena/dublagem performativa com a linguagem Drag Queen, escancarando as transfobias sociais e estruturais, colocando o protagonismo há tanto ceifado às pessoas trans.

S0DI0

Clayton Queiroz – Claytô (Maringá / PR)

Foto: Divulgação

A pele sob um fino papel, a coleta diário de sódio que transpassa nossos poros em gotículas de suor, papilas degustam os farelos que nos sobram as migalhas de um resquício democrático é o novo golpe salino que estanca a carne.

Neste dia o livro “Performance arte: modos de existência”, de Ludmila Castanheira (Ed. Appris), estará à venda.


16 de novembro

Espelhos

(Ney Piacentini – São Paulo / SP)

Local: Teatro Barracão | Horário: 20h30
Parceria com o projeto Convite ao Teatro

Foto: João Caldas

A encenação reúne os contos homônimos “O Espelho”, de Machado de Assis (integrante de Papéis Avulsos, publicado pela primeira vez em 1882) e “O Espelho” de Guimarães Rosa (publicado em 1962, integrando o livro Primeiras Estórias). A montagem apresenta na íntegra os dois contos, compondo um só trabalho teatral que explora as relações entre literatura e teatro. Propõe uma reflexão sobre as relações entre sociedade, imagem e subjetividade, por meio do pensamento de duas referências fundamentais da literatura e da arte brasileira.

Sobre letras e gritos para salvar o mundo – uma homenagem à Jardelina da Silva

Camila Fontes (TOU Teatro – Londrina / PR)

Local: Teatro Barracão | Horário: 20h

Foto: Marina Wang

Um encontro com as vozes e imagens de Jardelina da Silva, sergipana, brasileira, figura muito conhecida nas ruas da cidade de Bela Vista do Paraíso, interior do Paraná. Conselheira, poeta, gritona, Jardelina tinha o dom das vozes proféticas, o dom de vesti-las. Passava da escuta das vozes à costura, da costura ao discurso gritado pelas ruas e, por fim, concluía seu ato com a fotografia. “Sobre letras e gritos…” é uma homenagem que busca vestir alguns dos retratos, objetos e palavras de Jarda, como era carinhosamente chamada.


17 e 18 de novembro

Iracema via Iracema

(Luciana Ramin – Trupe Sinhá Zózima + Agrupamento Andar 7– São Paulo / SP)

Locais:  17 no Teatro Reviver e 18 no Teatro Barracão | Horário: 20h
*Público limitado*

Foto: Leonardo Souzza

A tragicomédia “Iracema via Iracema” parte do texto homônimo de Suzy Lins de Almeida, dramaturga e pesquisadora cearense, e conta a história de uma mulher de origem rural, semianalfabeta que, em um determinado momento de sua vida, escolhe viver para sempre dentro de ônibus urbano que se desloca pelas ruas da cidade.


Oficinas | FOCA: Formação e Capacitação de Artistas

9 e 11 de novembro

Construção de espetáculo solo

Com Vinícius Piedade (São Paulo/SP)

Local: Arena das Artes | Horário: 9h às 13h
Inscreva-se! *20 vagas*

Essa oficina propõe ao ator/atriz pesquisar-se e descobrir-se expressivo/a, capaz de com corpo, gesto e voz, realizar um potente encontro teatral com o público e iniciar um processo de auto investigação visando a criação/construção de espetáculo solo.


10 de novembro

O ator inventivo

Com Luciano Wieser e Grupo De Pernas pro Ar (Canoas/RS)

Local: Aplausos Centro Artístico | Horário: 9h às 12h30
Inscreva-se! *15 vagas*

O grupo propõe uma compilação de várias linguagens ligadas ao circo, teatro de animação e teatro de rua, resultando num precioso processo criativo. Serão trabalhados: percepção física, dinâmicas de espaço e relação corpórea, expressão corporal e ritmo, jogos teatrais, técnicas circenses/malabares e acrobacias, improvisação inventiva com material e introdução à manipulação de objetos. Informações pelo e-mail: soemcena.maringa@gmail.com


16 de novembro

Encontro sobre atuação

Com Ney Piacentini (Cia do Latão – São Paulo/ SP)

Local: Teatro Reviver | Horário: 14h às 18h

Exercícios práticos e demonstrações a respeito dos modos dramático, épico e performativo de se atuar em teatro.


Atividades Paralelas

14 de novembro

Ação de formação de plateia: “Conversas Violetas – Treinamento e criação para o espetáculo Violetas” 

(com a atriz Mayra Montenegro)

Local: Colégio Estadual Alberto Jackson Byington Junior | Horário: 9h

 

16 de novembro

Pré-lançamento do livro “O Ator Dialético: 20 anos de aprendizado na Companhia do Latão”, de Ney Piacentini (Hucitec Editora)

Local: Teatro Barracão | Horário: 21h30
(após a apresentação do espetáculo “Espelhos”).

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