Alguns estudos já deram força à hipótese de que o talento para a música pode sim estar ligado a fatores genéticos. Cientificamente confirmada ou não, a teoria ganha força quando paramos pra observar a quantidade de filhos que seguem o caminho dos pais na carreira pelos palcos e estúdios.

É o caso da banda Dois Reis que, como o próprio nome sugere, é formada pelos irmãos Theo e Sebastião Reis, filhos do ex-Titãs – e um dos principais nomes do pop/rock nacional – Nando Reis.

A banda, que tem quatro anos de estrada e lançou seu primeiro álbum, homônimo, no segundo semestre de 2017, vem ao Paraná pela primeira vez. Acompanhados pelos músicos Victor Barreto (guitarra), Gabriel Nogueira (baixo), Pedro de Lahóz (teclado) e Rafael Wér (bateria), os irmãos se apresentam hoje (26) no bar Casa da Vó, em Maringá e amanhã (27) no Oficina Bar, em Londrina.

Carol Siqueira

Em um breve bate-papo com a Circular Pocket, Theo falou sobre a expectativa para os shows, a trajetória da banda, a cena da música independente no Brasil e os planos pra 2018. “Nós estamos muito felizes de ir pela primeira vez para o Paraná (…). A gente gosta muito de mostrar o que faz e fazemos isso com muito amor. Nos shows, esperamos poder receber e retribuir todo esse amor pela música. O repertório é calcado nas nossas composições autorais, mas também tem algumas músicas do nosso pai e releituras de bandas que a gente gosta”.

Theo conta que a banda surgiu, a princípio, como um projeto temporário, a partir do desejo que ele e o irmão tinham de tocar algumas músicas do pai que não entravam no repertório dos shows. “O Sebastião é mais novo do que eu. Quando ele começou a tocar violão, foi aprendendo muitas músicas do meu pai e sempre ia lá em casa pra gente tocar junto. Depois de um tempo, a gente começou a acompanhar o nosso pai em alguns shows. E foi numa dessas viagens que decidimos montar o projeto e, depois, tocar ele adiante”.

Mas aos poucos, as composições próprias foram ganhando espaço nos shows e a banda, construindo a identidade. Em 2014, gravaram o primeiro EP com a inédita Passageiro do Vento – uma parceria de Theo e Marcelo Mira – além de uma releitura da música ECT – composição de Nando Reis que ficou famosa na voz de Cássia Eller.

A trajetória da banda ainda contou com uma participação no reality musical Superstar, em 2016, até o lançamento do primeiro álbum completo no ano passado. Com oito músicas inéditas – incluindo uma parceria entre Sebastião com o pai e o produtor do disco, Fernando Nunes – o álbum foi gravado e mixado no estúdio Space Blues, em São Paulo e lançado pelo selo independente Relicário.

Na apresentação do álbum vocês já adiantam que o som tem influência de toda a estética do rock dos anos 70 – fato que é rapidamente confirmado quando paramos pra ouvir as músicas. E quanto às bandas atuais – especialmente dentro do circuito independente – o que vocês têm escutado? Quem são os artistas em atividade que influenciam o som da Dois Reis?

Realmente a gente gosta muito da estética dos anos 70, foi o norte pra buscar a sonoridade do nosso disco. Mas tem muitas bandas atuais muito boas, né. Acho que dentre as mais famosas do circuito independente a gente gosta muito d’O Terno, uma banda que faz um trabalho muito bacana, desde as composições até o processo de gravação. Lá no Rio de Janeiro tem o pessoal d’A Coisa Toda e da Banda Sinara, também. Mas é até difícil elencar com tantas bandas fazendo um som bacana.

O disco foi lançado de forma independente, mas – por conta do parentesco com um dos maiores compositores do pop nacional e também pela participação no programa Superstar -, podemos dizer que vocês transitam bastante entre o universo da música independente e o mainstream, não? A partir dessa perspectiva, qual a visão de vocês sobre a cena musical do Brasil atualmente? Como é viver de música no país?

Eu acho que, sem dúvida, as mudanças tecnológicas trouxeram essa possibilidade de que hoje muito mais pessoas possam gravar e divulgar seu trabalho. Isso também significa um maior número de bandas. Eu acho que viver de musica sempre foi difícil, mesmo quando havia uma indústria fonográfica mais forte. Acredito que hoje está melhor por ser mais democrático. Sem dúvida, as mudanças tecnológicas trouxeram essa possibilidade de que muito mais pessoas possam gravar e divulgar seu trabalho. Isso também significa um maior número de bandas.  Mas a dificuldade de viver de música eu acho que é o drama eterno da vida do músico, né. A gente aqui rala como dá. Eu mesmo, além de ser músico, trabalho como professor de música. Então é importante que a gente consiga criar cada vez mais um circuito de shows em que as pessoas possam tocar, as bandas consigam circular, mas é um trabalho que se vive no limite entre o pouco dinheiro pra subsistência mas muita satisfação na alma.

E quais são os planos pra esse 2018 que está començando? 

Pra 2018 a ideia é continuar circulando com o show, divulgando nosso disco e também apresentar algumas coisas novas a partir do nosso canal no Youtube e das nossas redes sociais. Então, quem quiser saber mais, é só chegar!

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