A dança está conquistando cada vez mais espaço no campo das artes cênicas em Maringá. Prova disso é que, nos próximos meses, a cidade vai receber uma série de oficinas, espetáculos e atividades formativas na área, oferecidas pelos projetos ‘Formação Continuada em Dança’ e ‘ProjecT.ato: a dança como ato’, contemplados pelo Prêmio Aniceto Matti de 2018.

Por meio de estilos de dança distintos, os projetos têm em comum o fato de apostarem nessa linguagem artística como uma ferramenta de transformação social e fomento cultural.

Com participação gratuita, os dois têm a proposta de oportunizar a formação continuada para dançarinos que, muitas vezes, acabam abandonando a área ou saindo da cidade por falta de caminhos para se profissionalizar por aqui.

+ Circular Pocket: Formação Continuada em Dança está com inscrições abertas

Dellas / Foto: Alipio Padilha
Duo Due / Foto Max Miranda

A Dança como Ato

O ProjecT.ato é um programa intensivo de formação em dança que teve sua primeira edição realizada em 2013/14. Segundo a idealizadora e coordenadora artística do projeto, Maria Glória Borges, ele retorna agora com a mesma motivação anterior: incentivar a prática da dança, especialmente para o público da dança profissional e independente da cidade.

A retomada do projeto teve grande incentivo graças ao Coletivo de Bailarinos Independentes de Maringá – Coletivo.Coletivo, do qual eu faço parte. Para nós é muito clara a importância de aulas, oficinas e workshops regulares para que possamos ter uma atualização e um incentivo contínuo da prática em nossa profissão.”, explica ela.

Nesta segunda edição, que vai rolar entre os meses de abril e agosto, o ProjecT.ato vai oferecer seis oficinas seguidas de rodas de conversa, cinco espetáculos e dois eventos de encerramento, todos com participação gratuita.

Participam do projeto os artistas Rafaela Sahyoun, Coletivo Dellas e Trupe Benkady (São Paulo/SP), Inaê Moraes (Salvador / BA), Cia Duo Due (SP/PR), Coletivo Coletivo (Maringá), mestres do Tambor de Crioula do Maranhão e Samba Paraguassu na Linha do Mar (BA/SP).

As inscrições para a primeira oficina já estão abertas e podem ser feitas online, por meio do preenchimento de um formulário, até o dia 26 de abril.

Clique aqui para acessar a página do projeto e acompanhar as inscrições de cada atividade.

Rafaela Sahyoun / Foto: Leandro Moraes
Duo Due / Foto: Max Miranda

Vale lembrar que o número de vagas é limitado em algumas atividades. As oficinas são direcionadas tanto para profissionais quanto para leigos que têm interesse na área ou alguma vivência na prática corporal.

Gostaríamos que as oficinas atendessem profissionais ou iniciantes na dança e suas vertentes, mas acima de tudo que sejam pessoas afim de conhecer e compartilhar suas bagagens corporais e de somar coletivamente”, diz Maria Glória.

O papel do social da dança

Além da profissionalização, a proposta  do ProjecT.ato está muito ligada ao papel social da dança, que frequentemente é preterido em nome do fim comercial.

“O movimento da cidade há muito tempo tem foco na comercialização dessa arte, através das escolas de dança. Isso pode ser um problema pois a prática da dança – desde as populares até as clássicas, modernas e contemporâneas – são um patrimônio imaterial da nossa cultura que deve ser observado com muito carinho do ponto de vista da sua necessidade”, diz a bailarina Alexandra Delgado, que faz parte do Coletivo.Coletivo e também está à frente do ProjecT.ato.

“Hoje em dia encontramos diversas modalidades de dança e de movimento que conseguem abraçar diferentes formas de pensamento e de ação. E esse é exatamente o nosso foco principal: mostrar a diversidade de corpos e ideais através da dança, de oficinas e espetáculos.”, explica Maria Glória Borges.

Ela ainda conta que as atividades do projeto transitam por universos e temas  que estão cada vez mais relevantes. Como exemplo disso, cita a atividade ‘Imersão em Dança Intuitiva’, que vai ser ministrada por Inaê Moraes (BA), é voltada só para mulheres e aborda a conquista do empoderamento feminino por meio do movimento.

Sobre o poder de transformação da dança, Alexandra Delgado destaca ainda a demanda de formação de profissionais de dança mais preparados para levarem experiências sensíveis e profundas para contextos de vulnerabilidade social.

Dellas 17 / Foto: Alipio Padilha

“Provocar questionamento a respeito da imagem que o corpo ocupa na sociedade é de extrema importância para criarmos cidadãos ativos e críticos (…) levamos a valorização da vida e empoderamento da força de ação diante dos problemas estruturais de desigualdade, preconceito, violência entre tantos outros que se apresentem a nós.”, reflete ela.

Coletivo.Coletivo e a importância do ProjecT.ato para a dança independente

Além de Maria Glória Borges e Alexandra Delgado, o Coletivo de Bailarinos Independentes de Maringá (Coletivo.Coletivo) também é formado por Flávio Magalhães e Tatiane Pratti. O grupo, que foi um dos grandes incentivadores para a realização do ProjecT.ato, vai ministrar uma das oficinas e apresentar o espetáculo ‘Amor.Tecer’.

Coletivo.Coletivo / Foto: Ana Rhodes

O Coletivo surgiu com a intenção de construir uma rede de apoio onde a troca de experiências e processos criativos levam a debates mais profundos sobre como reinventar métodos, sistemas, estruturas e táticas de organização da classe artística em prol de ideais em comum. “Eu acredito que o coletivo venha de encontro com essas necessidades de estruturar relações que possam ser engrandecedoras a partir da moeda de troca mais simples, a ação.”, afirma Alexandra.

Segundo ela, atividades formativas como as oferecidas pelo ProjecT.ato são extremamente importante para que os artistas independentes locais consigam estabelecer diálogos entre si. 

“Os encontros visam essa aproximação da classe, além de propiciarem novas experiência para bailarinos iniciantes e artistas de outras áreas – que também são o nosso foco. É claro que todas as pessoas têm muito a somar nesses compartilhamentos, por isso as oficinas são abertas a qualquer público. Entretanto, percebemos a necessidade da criação de vínculo com outros artistas da cidade – artesãos, artistas de rua, músicos… Todos ganham com essas troca.”, finaliza ela.

Como participar

Os formulários de inscrição e a programação das atividades estão sendo disponibilizados nas redes sociais do ProjecT.ato. As primeiras oficinas e espetáculos já têm data marcada. Até agosto, ainda rolam oficinas de Tambor de Crioula e Samba Paraguassu. As demais datas e formulários de inscrição serão divulgados em breve.

Oficinas

29 de Abril a 3 de Maio
Imersão SIM, com Rafaela Sahyoun (SP)

Horário: 9h30 às 13h
Local: Sala de dança do Teatro Cali Haddad
Inscrições abertas: clique aqui para acessar o formulário.

17 e 18 de Maio
Imersão Dellas, com Coletivo Dellas (SP)

Horário: 10h às 13h
Local:  Salas anexas à Oficina de Teatro da UEM (Universidade Estadual de Maringá)

1 de Junho
Dança Intuitiva, com Inaê Moraes (BA)

Horário: 14h às 18h
Local: Vivenda Viva

12 a 14 de Junho
Dança para um, para dois e para muitos, com Cia Duo Due (SP/PR)

Horário: 19h às 21h30
Local: Casa de Cultura Alcídio Regini | Jardim Alvorada

25 a 28 de Junho
Oficina do Coletivo.Coletivo (Maringá)

Horário: 10h às 12h30
Local: Salas anexas a Oficina de Teatro da UEM

Espetáculos

Giant

Rafaela Sahyoun (SP), participação especial de DJ Chá di Lirian
Data: 3 de Maio
Horário: 20h30
Local: Teatro Reviver

Dellas 17

Coletivo Dellas (SP)

Data: 16 de Maio
Horário: 20h30
Local: Teatro Reviver

Data: 17 de Maio
Horário: 20h30
Local: Oficina de teatro da UEM

Fragile

Cia Duo Due (SP/PR)
Data: 15 de Junho
Horário: 20h
Local: Teatro Barracão

AmorTecer

Coletivo.Coletivo (Maringá)

Data: 28 de Junho
Horário: 20h30
Local: Oficina de Teatro da UEM

Data: 29 de Junho
Horário: 17h
Local: Parque do Ingá
(com vivência)

 

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