A atriz e performer Aline Luppi Grossi está se apresentando no projeto Convite ao Teatro, da Secretaria de Cultura de Maringá. São 3 apresentações, sendo que a primeira já aconteceu no dia 20 de maio.

Ana Sotoriva

A ação consiste no preparo de uma massa de pão, onde cada ingrediente é trocado por dados do feminicídio no Brasil. O assassinato da figura da mulher única e exclusivamente pelo fato dela  ser mulher, recebe o nome de feminicídio, e introduzido como qualificador na categoria de crimes contra a vida, alterando a categoria dos chamados crimes hediondos segundo a lei 13.104/15.

O ambiente se parece com os bastidores de um programa de culinária, com uma bancada montada sobre uma lona e diversos instrumentos usados na cozinha, como fritadeira, óleo, tacho, açúcar, entre outros ingredientes.

A atriz sova a massa enquanto elenca os nomes dados à vagina, para então abrir e cortar em tiras, criando diferentes moldes que lembrem o órgão sexual e também moldando no próprio corpo.

O primeiro gatilho do espetáculo surgiu enquanto a diretora Aline Luppi fritava “cuecas viradas” e se deparou com a ironia entre o nome da receita e sua semelhança com órgão genital. Uma das características de seu trabalho é mesclar a vida cotidiana de viver em uma panificadora há 28 anos, com a vida de ser artista há nove, por isso é comum a presença de elementos como a gordura e a farinha em seus trabalhos, brincando justamente com as semelhanças estéticas entre as massas de pão e seu corpo gordo.

É necessário apontar que apenas em 2015 passaram a se contabilizar as mortes de mulheres relacionadas ao gênero e ainda assim nem todos os estados fazem a contabilização desses dados. O Paraná ocupava em 2015 o 3º lugar entre os estados com maior indice de mortes de mulheres, em 2020 não aparece no rancking, mas há registros 1.890 mortes de mulheres em todo o Estado só no 1º semestre, sendo 398 delas por feminicídio, com sua maior concentração nos aredores das grandes metrópoles, mostrando um aumento de 35% dos casos só no mês de Abril em comparação com o mesmo período do ano passado. enumera a artista.

O “Banquete de Obscenidades”  de Aline Luppi aborda relações atuais que ocorrem independente de classe, cor ou credo. Seja em relacionamentos casuais ou em relações de longa duração, em ligações amorosas ou vínculos parentais, com mulheres jovens, de meia idade ou idosas, a violência é um fato.

Ana Sotoriva

Aproximando o público por meio da estética dos programas de culinária, o Banquete aborda com muita ironia e deboche situações abusivas por parte de figuras masculinas. Vale a pena ver!

Com o intuito de levantar discussões sobre esses comportamentos, a objetificação dos corpos é trabalhada enquanto se trabalha a massa, questionando os papéis sociais da mulher e o próprio significado de se performar o ideal de feminino. A ironia consiste em utilizar signos dos primórdios da criação – o pão e o vinho – em um modelo de estrutura familiar ás mulheres, os programas de culinária, para denunciar abusos e conscientizar não só vítimas como também as pessoas que vivem em seu entorno, independente do gênero.

Serviço

Datas: 20/05 – 27/05  e  03/06/2022
Horário: Sempre às 20 horas
Local: Teatro Barracão
Classificação 18 anos
Entrada Gratuita

Ficha Técnica

Performance: Aline Luppi
Direção: Aline Luppi
Iluminação: Victor Lovato
Sonoplastia: Victor Lovato
Vinheta: Nicholas Emmanuel
Fotografia: Ana Sotoriva
Cenografia: Aline Luppi
Figurino: Aline Luppi
Vozes: Arthur Lopes; João Renato; Marcelo Augusto e Rafael Augusto.

 

 

 

 

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