Foto: Chantal Weber

Depois de um show que ficou marcado tanto na história do rock maringaense quanto na história da banda alemã Tusq, em 2011, no Long Life Music Festival, o quarteto retorna à cidade com formação nova e mais dois discos na bagagem.

A banda de Hamburgo, agora sediada em Berlim, sobe ao palco do Tribo´s Bar, neste sábado.  O grupo carioca, The Outs, também sobe ao palco para celebrar os quase 15 anos da festa Sonic Flower Club.

As portas abrem às 22h e os ingressos antecipados podem ser comprados nas lojas Hurricane (Rua Néo Alves Martins, 2487) e Melômano Discos (Rua Arthur Thomas, 288).  A festa conta ainda com a discotecagem de Itaici Brunetti, Murilo Castro e Flávio Silva.

Formado em 2009, Tusq apresenta músicas em inglês, com influências que vão do rock britânico ao som alternativo norte-americano das décadas de oitenta e noventa. Além do metal do Sepultura e do indie latino-americano dos Los Hermanos.

Ouça:

Seus integrantes também fazem parte de famosas bandas como D-Sailors, Terrorgrupe e Schrottgrenze.

Em 2010, o Tusq lançou o primeiro álbum, “Patience Camp”, e o segundo, “Hailuoto”, chegou em 2013. Muito elogiados pela crítica musical da Europa, os discos colocaram a banda nos principais festivais da Alemanha, como Rolling Stone Weekender, Hurricane, Highfield e Area4. Também tocaram ao lado de conhecidos nomes da cena alternativa mundial como The Flaming Lips, Father John Misty, Nada Surf, The Breeders, Teenage Fanclub, Ryan Adams, New Model Army, entre outros.

No final de 2018, lançaram o terceiro álbum, “The Great Acceleration”, que conta com a produção de Gordon Raphael (The Strokes), mixagem de Kalle Gustafsson (The Soundtrack of Our Lives), arte de Eric Drooker (Faith No More) e participação do guitarrista brasileiro Edgard Scandurra (Ira!) na música Different Planet. Tusq é formada por Uli (vocal, teclado e sanfona), Timo (guitarra), Michael (baixo), Matthias (bateria).

Antes de pisarem em solo brasileiro para começarem a turnê por aqui, de 5 a 12 de junho, conversamos com o vocalista Uli, para saber um pouco da relação deles com a música brasileira, sobre as mudanças da banda nos últimos anos, o novo disco, participação do guitarrista Edgar Scandurra, política e algumas coisas mais.

1) Vocês já tocaram em Maringá em 2011. Qual lembrança vocês tem do show e do público daqui?

O show em Maringá em 2011 foi um dos melhores da nossa carreira. O público naquela noite estava tão louco e com tanta energia que estamos muito animados para voltar.

As pessoas de Maringá realmente apreciam o rock autoral. Foi ótimo ver a paixão que descarregamos em cima do palco quando tocamos ao vivo, porque recuperamos essa paixão do público. É quando a mágica acontece! Espero que possamos repetir isso no Tribo´s Bar.

2) No último álbum, “The Great Acceleration” (2018), vocês tiveram a participação do guitarrista brasileiro Edgar Scandurra (Ira!), na música Different Planet. Qual a ligação de vocês com a música do Brasil?

Em 2014 a gente tocou com o Ira!, durante a Virada Cultural, e conhecemos o Edgar. Ele é um guitarrista fantástico e, quando escrevemos a música Different Planet, pensamos que seria perfeito ter a participação dele em um solo. Escrevemos para ele e ele disse sim!

Estamos muito felizes com essa colaboração, porque trouxe uma vibração nova para a música. É uma das minhas faixas favoritas desse novo álbum.

3) Existe influência de bandas brasileiras na Tusq? Vai além do rock?

Eu cresci ouvindo hardcore e metal, então é claro que o Sepultura foi uma grande influência para a minha adolescência. “Roots” (1996) é um dos meus álbuns favoritos de metal de todos os tempos.

Fora isso, não acho que tenho muita influência de música brasileira. Eu amo o
álbum “Ventura” (2003), do Los Hermanos. Ele combina perfeitamente a atmosfera latino americana com o indie rock.

4) Muitas bandas brasileiras, de todos os gêneros, costumam carregar algo da cultura brasileira nas músicas, algo tradicional do Brasil. Existe alguma influência da cultura local de vocês nas músicas da Tusq?

Não, na verdade não temos nenhuma influência da nossa cultura local alemã nas músicas da Tusq. Todos da banda são fãs do rock e do indie da Inglaterra e EUA. Nós amamos rock melódico guiados pela guitarra.

Na Alemanha, atualmente, o hip hop e a música eletrônica estão dominando, então nós não incluímos nada disso nas nossas músicas, nem coisas típicas, como Schuhplattler e Schlager. Na verdade, nós não somos muito fãs da cultura tradicional alemã, porque ela é mantida pelo lado conservador do nosso país, que não gostamos muito.

5) Quais bandas da Alemanha vocês poderiam indicar para os brasileiros?

Tem duas bandas alemãs que eu posso recomendar. Uma é a banda de rock chamada Beatsteaks. Eles são de Berlim. É uma banda muito boa de se ver ao
vivo e são muito populares por aqui.

A outra é a banda em que o nosso guitarrista Timo toca. Uma banda de indie rock chamada Schrottgrenze. Eu sei que é um nome difícil para os estrangeiros pronunciarem, mas é uma banda muito boa e com músicas incríveis.

6) EUA e Brasil estão com uma onda conservadora, tanto social quanto política, assim como países da Europa, que flertam com o fascismo. Qual a posição da banda em relação a isso?

Nós acreditamos nos valores da democracia, como liberdade de expressão e igualdade de direitos humanos. Ninguém pode ser oprimido por causa da sua origem, orientação sexual ou suas crenças. Nós desprezamos a extrema-direita e os movimentos fascistas que estão surgindo no mundo todo e tentam tirar o poder do povo.

Os fascistas lutam apenas por dinheiro e poder, não se importam com as pessoas e os planetas. Os discursos de ódio deles estão dividindo a sociedade, construindo muros e tacando fogo em nossos corações. Precisamos de mais solidariedade, precisamos lutar contra isso. Cabe a nós falar e fazer a diferença!

7) O presidente brasileiro Jair Bolsonaro já virou piada mundial. O que vocês sabem a respeito dele e do cenário político no Brasil?

É claro que conhecemos Bolsonaro e os recentes acontecimentos políticos do Brasil. Estamos realmente preocupados com a liberdade no Brasil, porque Bolsonaro não se preocupa com os direitos humanos e os valores da democracia. As minorias e a comunidade LGBTQ+, principalmente, sofrem com as consequências desse sistema e é uma situação muito perigosa.

Além disso, ele está colocando o mundo todo em perigo, destruindo as florestas por razões econômicas. Sem contar que uma das primeiras coisas que ele fez foi cortar os investimentos em projetos culturais. É muito muito ruim e eu espero que as pessoas percebam isso e mudem alguma coisa na próxima eleição. E espero que o Bolsonaro não faça muito estrago durante
esse tempo.

8) Do álbum “Hailuoto” (2013) para cá, dois integrantes mudaram e a base da banda mudou para Berlim. Qual o efeito dessas mudanças na Tusq?

É sempre difícil para uma banda quando há troca de integrantes. Você meio que precisa criar todo um novo clima para a banda. Mas, com Michael, o novo baixista, e Matthias, o novo baterista, nós realmente encontramos uma formação perfeita em Berlim para escrever e gravar o novo álbum, “The Great Acceleration”. “Hailuoto” veio meio dark e melancólico, então nós precisamos conter essa atmosfera com músicas mais rápidas e diretas, estruturas musicais mais claras e melodias mais pops. Na verdade, nós retornamos ao som mais leve do nosso primeiro álbum, “Patience Camp” (2010). Mas, claro, no começo o maior desafio foi integrar todos os membros da banda.

Foi preciso achar um groove mútuo, desenvolver o mesmo sentimento entre nós para formar uma coisa única. Acho que conseguimos fazer isso de forma
rápida e fiquei muito feliz de escrever e gravar essas músicas novas.

9) E para finalizar, o que podem dizer para o público de Maringá?

We´re gonna rocknroll and have a big party!

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