Atualmente, a forma de ouvir, compartilhar e experimentar música mudou e abriu espaço para novos artistas e agentes culturais em um meio em que, antes, as cartas pareciam marcadas. Uma banda não depende mais das grandes gravadoras, distribuidoras e produtoras de shows. O novo modelo democratiza o acesso, mas também traz aos artistas e gestores a necessidade de tomar a linha de frente, encarando o negócio da música e todo o seu ecossistema.

Nesse contexto, a Circular Alternativa #1 pretende realizar trocas de ideias e experiências com músicos, produtores e profissionais da cena musical brasileira, para que, por meio desse intercâmbio, seja possível profissionalizar a cena musical independente de Maringá e região. Por isso, no próximo dia 22, a partir das 15h30, na sala de reuniões do gabinete do prefeito, será realizado o painel “Os desafios da produção musical independente”. As inscrições já estão encerradas!

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Para o painel, foram convidados Salma Jô e Macloys Aquino (Carne Doce), que trazem cerca de cinco anos de experiência de gravações e estrada, além do exemplo de repercussão nacional de autogestão de banda independente, o produtor Fernando Dotta (um dos fundadores da Balaclava Records) e Edwardes Neto e João Manoel (Stolen Byrds). A discussão será mediada pelo produtor cultural Marcelo Domingues (Demo Sul).

A escolha do tema foi unânime entre os produtores da Circular Cultural, pois acredita-se que é preciso um assunto amplo, num primeiro momento, para conseguir destacar os principais interesses e necessidades da produção cultural maringaense. Assim, as futuras conversas podem ser mais pontuais. A ideia é iniciar um processo de profissionalização, para que o mercado musical (e cultural) de Maringá se torne, futuramente, autossustentável, conseguindo levar produções daqui para outros lugares, e não apenas receber.

Dentro do tema “Os desafios da produção musical independente”, serão discutidas as mudanças do mercado da música e os possíveis caminhos a serem seguidos dentro dele, importância de selos musicais na colaboração e profissionalização desta rede, produção e carreira internacional, entre outros pontos que surgirem durante as três horas de conversa.

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Criador e produtor do Festival Demo Sul, realizado em Londrina há 17 anos, com atrações locais, nacionais e internacionais, além de artes integradas e atividades formativas, Marcelo Domingues acredita que Maringá e Londrina são cidades que ainda não conseguem dar um sustento justo ao mercado da música independente. Por mais que existam festivais, eventos e bares voltados para fomentar este cenário, para ele, ainda é muito pouco para a demanda de artistas de ambas as cidades. Portanto, mais uma iniciativa que se propõe a fazer esse trabalho de profissionalização do mercado cultural é sempre bem-vinda.

Arquivo

“A importância é extrema, e a partir do momento que pessoas se movem para transformar isso em realidade ela se torna extraordinária. Eventos como a Circular Alternativa deletam fronteiras, tecem redes e mixam linguagens”, relata Domingues, que realiza ações similares no “Simpósio de Música Independente”, desde 2004, dentro do Demo Sul.

Para Domingues, além do espaço na internet, o mercado musical precisa apresentar novas formas de receita, transformando-se em um ecossistema propício para investidores, beneficiando artistas, produtoras, profissionais liberais, investidores e fornecedores do setor, sem “depender exclusivamente de políticas públicas” para que isso aconteça.

Já para o produtor paulista Fernando Dotta, um dos donos e fundadores da Balaclava Records, selo que atua no mercado musical desde 2012, a movimentação é importante, pois, para ele, Maringá é uma cidade que precisa voltar para a rota do circuito independente. Como guitarrista e vocalista, Dotta já tocou por aqui com a banda Single Parents, e também trabalhou como produtor com os maringaenses do grupo The Soundscapes. Das duas formas, sempre foi difícil arrumar shows na cidade.

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“A gente sempre está em contato com uma galera da região, que pede show, mas ao mesmo tempo falta uma organização dos produtores locais, falta incentivar a cidade, começar a ter mais shows, para que os produtores independentes, a galera jovem, se estimulem a voltar a fazer, pôr a mão na massa. Falta profissionalização mesmo”, explica Dotta.

Para os músicos, essas discussões são, da mesma forma, de extrema importância. Macloys Aquino (Carne Doce) considera a iniciativa louvável, e completa: “Esse tipo de coisa é capaz de provocar e instigar as pessoas.” Já Edwardes Neto (Stolen Byrds) se diz acolhido pela ação realizada na cidade natal.

“Nos sentimos parte dela, sem dúvidas. É como uma mãe que vem para acolher, alimentar, fortalecer e educar seus filhos, e nós, como filhos, artistas, temos que respeitar, retribuir e contribuir para esse crescimento. Fazer parte disso é um privilégio, não daqueles que acomodam, mas que fazem acreditar ainda mais que a evolução é possível e já está acontecendo”, relata o vocalista.

Os músicos convidados poderão trazer importantes experiências de autogestão de bandas. Dois deles, Macloys e Salma, da Carne Doce, como exemplo de repercussão nacional, e os outros dois, Edwardes Neto e João Manoel, da Stolen Byrds, como exemplo local, mas já com uma boa bagagem e passagem por diversos festivais brasileiros.

Fernando Dotta apresenta outro ponto importante na iniciativa de se colocar profissionais com anos de experiência no cenário nacional e internacional para conversar e trocar experiências com produtores, músicos, jornalistas e demais profissionais da cidade ligados a esse mercado.

“Nós, estando tão dentro da parada, e em São Paulo (SP), às vezes perdemos a noção de como as outras cidades se movimentam, então, também é interessante para nós trocar essa ideia”, ressalta o produtor.

O Mapeamento da Indústria Criativa do Brasil, publicado pela Firjan (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), mostrou que, em 2015, a área criativa gerou riqueza equivalente a R$ 155,6 bilhões no Brasil, que equivale a 2,64% do PIB nacional do mesmo ano. Além de empregar formalmente 851,2 mil pessoas.

Em 2017, o Demo Sul e os outros 17 festivais ligados a Festivais Brasileiros Associados (FBA) geraram em torno de 5.800 empregos e serviços diretos e indiretos. Além disso, Marcelo Domingues ressalta o resultado de um conjunto de pesquisas recentes, que apontam que o setor criativo é o que mais impacta positivamente outros setores igualmente vitais, e mais gera valor adicionado. Isso acontece, pois está baseado no uso de recursos inesgotáveis (como criatividade) e consome cada vez menos recursos naturais esgotáveis. “Isso quer dizer que seus produtos geram bem-estar, estimulam a formação do capital humano e reforçam vínculos sociais”, explica.

Dia 22, portanto, é dia de ter uma experiência única e extraordinária com os shows gratuitos da Carne Doce e Stolen Byrds, no Paço Municipal, a partir das 20h. Mas é, também, dia de promover a circulação de bandas independentes e o intercâmbio entre público, artistas e produtores. É dia de todos trocarmos energia!

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