Renato Domingos

Durante dez dias, ruas, teatros, escolas, praças e centros culturais da região de Maringá transbordaram cultura e arte com apresentações gratuitas de espetáculos teatrais que levaram do riso às lágrimas um público de todas as idades.

A Só em Cena – Mostra de Solos e Monólogos aconteceu entre 16 e 26 de novembro com a apresentação de 10 espetáculos, 5 performances, 5 cenas curtas e 2 oficinas de capacitação que reuniram artistas de Maringá, Londrina, Curitiba e Campo Mourão (PR), Fortaleza (CE), Canoas (RS), Suzano e São Paulo (SP), Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ).

A mostra chegou à sua segunda edição já deixando claro o potencial de se tornar um dos eventos de teatro mais importantes da cidade. O impacto causado pela intensidade e diversidade da programação está, aos poucos, registrando o nome do Só em Cena na história cultural de Maringá e de toda a região. “Esse ano, o Só em Cena deu um passo à frente no seu envolvimento com a cidade. (…) a gente conseguiu ter uma edição mais impactante e um público maior do que o do ano passado. (…) Posso dizer que esse era um dos nossos objetivos que a gente conseguiu concluir com muito sucesso”, conta Rachel Coelho, produtora a frente da 2 Coelhos Comunicação e responsável pela idealização e organização da mostra.

“Eu acho importante essa valorização dos artistas solos, porque são muito valorizados os artistas de grupo, os trabalhos que nascem de universidades, de coletivos. E uma mostra como essa, aonde a gente tem a oportunidade de trazer as nossas pesquisas pessoais, é de extrema importância e é um estímulo para os artistas de Maringá”, diz Rodolfo Lima, ator paulistano que se apresentou na mostra com a peça ‘Requiem Para um Rapaz Triste’.

Ainda que com apenas um artista presente no palco, todos os espetáculos foram capazes de proporcionar uma experiência coletiva, que começava durante as peças e se estendia até os debates propostos ao final de cada apresentação. “Os debates que a gente realizou após cada espetáculo foram muito legais. Um número significativo de pessoas ficou, se envolveu e fez perguntas”, diz Rachel.

Os bate-papos conseguiram reunir não apenas profissionais e estudantes do teatro, mas também um público formado por pessoas de diversas áreas, com o interesse comum de discutir as histórias, realidades e questões sociais levantadas com os espetáculos. “É um lugar de encontro, de troca de experiências, de conversas com outros artistas, onde a gente encontra um público diferenciado, atento, que está disponível a ouvir, a conversar e a trocar”, afirma Matheus Borges, ator da companhia Contadores de Mentira, de Suzano (SP), que esteve presente para prestigiar o evento.

Neste ano, pela primeira vez o Só em Cena teve dois espetáculos que contaram com interpretação em Libras (Linguagem Brasileira de Sinais). Nas peças Tempos de Cléo (Márcia Costa) e O Filho Eterno (Charles Fricks), a intérprete Maria Helena Almeida trabalhou para levar também aos deficientes auditivos o aprendizado e a emoção que vem do teatro. “O surdo ficou afastado da cultura por falta de acessibilidade durante muitos anos. E ainda são raras as peças que disponibilizam esse trabalho, então é extremamente importante ter um evento como esse, gratuito e acessível”, afirma Maria Helena.

Apesar das dificuldades naturais encontradas na realização de um evento teatral dessa dimensão em uma cidade como Maringá – que ainda tem muito a caminhar na oferta de atividades e na formação de público para a cultura -, o Só em Cena 2017 deixa um saldo positivo e uma série de aprendizados para a cidade. “O teatro, mesmo que a gente não queira, está sempre nos ensinando e é uma arte que não existe fora do coletivo. Então o festival é fundamental, é o lugar onde as trocas podem ser feitas, as pessoas chegam mais perto uma das outras e conversam”, conclui o sociólogo e ex-Secretário de Cultura Eduardo Montagnari.

A mostra termina já deixando no público e nos artistas a expectativa de que, em 2018, dê mais um passo em sua história e se consolide ainda mais na programação e no imaginário cultural de Maringá.

“A recompensa é ver isso acontecendo, acompanhar cada passo, cada degrau que o projeto vai subindo. (…) é você poder ver o teatro cheio, o público emocionado e feliz. É ver as mesmas pessoas voltando pra acompanhar todos os espetáculos, ver pessoas que a gente não conhece e sabe que não são da área de artes cênicas, mas estão ali assistindo aos espetáculos, comentando e ficando pros debates”, finaliza Rachel.

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