A Coletiva – Mostra Multicultural continua de portas abertas à população e inaugura na próxima terça-feira (23), a partir das 19h30, o segundo momento expositivo do projeto, com a mostra “Táticas para transbordar vazios”, na Rua Padre Vieira, 443, Vila Progresso.

A inauguração contará com a performance de Kênia Bergo, “formas de dizer eu te amo e objetos afiados” (conteúdo não recomendado para menores de 18 anos desacompanhado de seus pais ou responsáveis), e a Roda de Conversa #2, com participação da própria Kênia e o artista Lucas Benatti. A mediação será feita pela artista e professora Roberta Stubs. As obras continuarão expostas até o dia 21 de dezembro.

+ Circular Pocket: Confira a programação completa da Coletiva – Mostra Multicultural

“Táticas para transbordar vazios”

Com curadoria de Roberta Stubs, a mostra contará com obras de quatro jovens artistas locais: Kênia Bergo, Lucas Benatti, Elisa Riemer e Felipe Tomazella. Em uma sociedade que carece de sentido, de desejo e de acreditar em algo futuro, Roberta enxerga uma de falta perspectiva para cada um desses sujeitos, por causa de uma realidade frágil em que vivemos.

“Por conta dessa fragilidade a gente acaba se preenchendo de vazio. Nós acabamos consumindo muitas coisas, de drogas a objetos, roupas, pessoas. A sociedade do espetáculo também é uma forma de esvaziar o sujeito, a gente se exibe demais, está muito apegado a aparência. O consumo, a espetacularização, o fenômeno da exposição muito dramática e severa da intimidade como forma de atrair olhares. Eu entendo tudo isso como forma de preencher o nosso vazio. No fundo, a gente está se preenchendo de nada”, explica Roberta, artista, pesquisadora e professora da Universidade Estadual de Maringá.

Com esse olhar, Roberta encontrou na obra dos quatro artistas um desejo de ultrapassar e reconhecer maneiras possíveis para preencher esses vazios de formas mais potentes e significativas.

“São artistas que exploram essa solidão, essa tristeza, essa carência afetiva, esse esvaziamento de afeto que a gente vive, esse vazio que nos preenche. Eles tentam, a partir de diferentes linguagens e visualidades, apontar saídas de alguma maneira. São artistas que eu tenho acompanhado o processo criativo a alguns anos”, completa a curadora.

Lucas Benatti

Em sua série afetos ordinários, Lucas Benatti lança um olhar bem pessoal sobre a condição dos sujeitos na contemporaneidade. Se valendo de tons pasteis e da linguagem da colagem, o artista, entre outras questões, traduz a solidão humana pelo confronto de cada sujeito singular com a vastidão do mundo que o rodeia. Uma vastidão que tanto encanta e seduz quanto
engole, isola e dilacera.

Artista cujo trabalho no campo da visualidade tem se debruçado sobre a investigação e produção poética a partir do deslocamento de fenômenos cotidianos.

Elisa Riemer

Elisa Riemer, por sua vez, usa de sua arte para pensar uma outra mística sobre o feminino. Sabendo que o corpo da mulher é alvo de capturas biopolíticas que o esquadrinham e regulam das mais variadas formas, a artista revela essas marcas de violência e as eleva para um campo onde esses corpos possam se resignificar. A colagem é a linguagem escolhida por ela para criar outras figurações para o feminino, cujos corpos bailam livres para exercerem seus desejos e se reconectarem com seus instintos mais íntimos.

Elisa Riemer é artista gráfica e colagista, constrói sua arte em meio a própria autodescoberta e coloca em imagens a arte de adentrar o próprio universo. Sua arte e seu caminho na militância a levaram a representar o Brasil em exposições internacionais sobre Gênero e Sexualidade e sua obra “Deleitação [Útero]” ilustra a capa da edição italiana do livro “Come As You Are”, de Emily Nagoski.

Kênia Bergo

Foto: Ludmila Castanheira

Com sua performance “formas de dizer eu te amo e objetos afiados”, a artista Kênia Bergo nos faz pensar sobre a relação entre amor e dor. Expondo seu próprio corpo à condições de vulnerabilidade, a artista mobiliza certa repulsa e aversão como modo de ativar no espectador sentimentos de cuidado e proteção. Uma estratégia poética que traz à tona as ambivalências do amor romântico que se traveste de cuidado quando, muitas vezes, é movido pela posse, controle e anulação do outro.

Kênia Bergo é graduada em Artes Cênicas pela Universidade Estadual de Maringá. Durante a graduação, começou a pesquisar as linguagens do corpo pela vertente da performance art e body art e tem desenvolvido trabalhos desde 2015. A primeira experiência com body art foi com o trabalho “Precisamos Falar Desamor”, performada em 2015, no Festival de Apartamento, em Maringá. Atualmente, desenvolve uma série de performances chamadas “As formas de dizer que te amo e objetos afiados”, realizada em alguns festivais entre Maringá e São Paulo. Atua como atriz, performer e artista visual.

Felipe Tomazella

Felipe Tomazella é um artista cujo trabalho ganha forma no limite entre a luz e a escuridão. O extremos entre vida e morte se aproximam numa comunhão estranha da qual emergem figuras e personagens hibridas, soturnas e violentas. Por meio da pintura e do desenho, todo um universo distópico se revela, mobilizando no espectador um olhar para dentro de si, para seus próprios fantasmas e sombras. Por meio dessa atmosfera funesta o artista nos faz transitar entre mundos que reconhecemos também como nossos, apesar de negá-los.

Felipe Tomazella é ilustrador e artista visual, formado pela Universidade Estadual de Maringá. Suas obras escancaram os desejos, as dores e os mistérios humanos. Equilibrado entre opostos, com trabalhos de tons sombrios, passeia entre conceitos de vida e morte, bem e mal, realidade e ilusão, evocando questões íntimas do ser.

Oficinas

Desde o dia 15 de setembro a Coletiva – Mostra Multicultural já está oferecendo aulas de 12 das primeiras oficinas que serão ministradas gratuitamente até o fim do projeto, em abril de 2019.

Inicialmente, 181 vagas foram disponibilizadas para o público de Maringá e região nas oficinas Conhecendo Mais Sobre Poesia; Atividades Circenses; Teoria Musical com Ênfase em Violão; Pintura em Tela; Instrumentos de Sopro; Brasil Pandeiro; O Teatro Em Movimento; Modelagem em Cerâmica; Dança Livre e a Consciência Corporal; Ensino à Prática do Maracatu; Danças Urbanas e Máscaras Expressivas para o Teatro.

Ainda há aproximadamente 20 vagas disponíveis e as inscrições podem ser realizadas no site www.coletivamm.com ou presencialmente na sede da Coletiva (Rua Padre Vieira, 443, Vila Progresso).


O projeto Coletiva é realizado pela Macuco (Maringá Cultural Cooperativismo) e patrocinado pela Viapar – Rodovias Integradas do Paraná e Bancoob Sicoob, a partir de incentivo fiscal concedido via Lei Rouanet, e tem apoio de Goma Arquitetura, Revest Acabamentos e Secretaria de Cultura de Maringá (Semuc).

COMENTÁRIOS

LEIA TAMBÉM

POCKET Artista plástica e colagista Elisa Riemer sentada num sofá vermelho, ao fundo uma parede vermelha com muitos quadros de artistas diversos. Elisa Riemer sorri e está vestida de camisa social, calça bordô, suspensório e gravata borboleta. Ela está de óculos

A exposição de Elisa Riemer é o presente que merecemos como cidade

Evento celebra 10 anos de trajetória da artista e terá oficina de colagem gratuita
POCKET

Sonhos de modelos LGBTQIA+ inspiram exposição fotográfica

A exposição reúne 25 imagens feitas pela fotógrafa Esther Hall
POCKET

Exposição de artesanato tem peças com foco na identidade local

São 57 peças produzidas por 19 artesãos locais
POCKET

Projeto capacita jovens para atuar no mercado audiovisual

O projeto vai oferecer aulas gratuitas a pessoas de 15 a 18 anos