Deivison Souza

A cultura pode ser o movimento e expressão de sentimentos capazes de influenciarem diretamente no comportamento do ser humano. No entanto, a frase acima está baseada apenas em meu empirismo e, para falar pra vocês sobre a importância das artes e das diferentes formas de expressão, será necessário entregar uma grande pesquisa. Talvez assim, possa convencê-los.

Navegando na internet, foi tranquilo encontrar pesquisas que davam destaque para essa correlação da arte com e produção de conteúdo cultural, embasadas em humanismo.  A revista Galileu, em reportagem, já abordou questões sobre o impacto positivo que o envolvimento com a arte pode ter na infância. Ou seja, incentivar crianças e adolescentes a procurarem novas formas de expressar conhecimentos e sentimentos, estimulando a criatividade,  pode levar ao desenvolvimento e criar formas de aproveitar o tempo livre com situações de aprendizado e, o mais importante, longe de situações de risco.

Aulas de expressões artísticas como um complemento na educação e formação de crianças e jovens –  independente da classe social – tem a capacidade de humanizar e podem ajudar a desenvolver talentos intrínsecos na personalidade de um futuro adulto.

Partindo dessa premissa, a cultura de rua vem se tornando uma agente difusora dessas águas. Além do hip hop ter saído das periferias e chegado ao mais alto nível de produção e público, o movimento – que anteriormente era julgado por ser contra os padrões – têm conseguido afastar inúmeras crianças e jovens do tráfico e do crime organizado.

Ele é tão abrangente que vem tomando espaço até em discussões sobre planejamento urbano. Uma reportagem do jornal Nexo evidencia o potencial do hip hop a partir de pesquisas, como a do americano Michael Ford, que estuda o intercâmbio entre o movimento cultural dos guetos e o planejamento das cidades.

Aqui no Brasil, no Estado do Rio de Janeiro, o hip hop se tornou patrimônio cultural. Isso aconteceu devido à quebra de padrões e estereótipos que o movimento promove. É possível encontrar o hip hop em escolas, estandes, em grandes eventos, museus e principalmente na rua, sendo reconhecido como arte.

A cultura urbana toma seu espaço na sociedade como uma máquina que une ricos e pobres, brancos e negros e respeito às identidades sexuais, por meio da música (MC e DJ), do grafite e da dança.

Em Maringá

Não seria possível deixar de apreciar uma cultura que é tão rica por aqui. O hip hop da cidade, que já é reconhecido por ter bons artistas e ótimos produtores culturais, vem crescendo e conquistando apoio do poder público para a difusão do movimento.

E é possível observar essa evolução olhando pra alguns acontecimentos dos últimos dias na cidade.

Em meio a tantos eventos, culturas e tribos diferentes, o festival Soul Breaking encerrou sua 3° edição do em Maringá no sábado (12). A competição, que aconteceu no Centro Social Urbano (CSU), visa popularizar e nutrir a cultura hip hop na região. No dia, o CSU se tornou palco de danças acrobáticas e muitos estilos diferentes, além da emoção nítida de crianças deslumbradas com a habilidade dos artistas mais velhos.

Foi sobre isso que falou o diretor de arte e criação, Mr-Fe, quando categorizou o potencial artístico do hip hop na vida das pessoas. “O hip hop, como cultura, tem práticas esportivas, físicas e plásticas. Para criança, ela se sente no paraíso. Eu comecei dançar quando tinha 11 para 12 anos, então eu sei o efeito disso. Minha irmã começou aos seis e todas as pessoas que cercam a gente começaram cedo. É encantador para uma criança. Digo de pronto que se você possui dúvida em relação ao conteúdo cultural – e no que ele transforma as pessoas, principalmente crianças – venha e pratique, você vai ver que é incrível”.

+ Escute a entrevista com o Mr-Fe  na íntegra:

A bagagem que o evento traz ainda é capaz de elevar o cenário cultural do hip hop em Maringá, conforme relatou um dos organizadores do Soul Breaking e professor de dança, Alisson Onilio.

“Diversos artistas do interior do Paraná estiveram presentes no Soul Breaking. Tivemos caravanas de dançarinos de Cascavel, Londrina, Toledo, Pato Branco, Maringá e Sarandi. Essa galera aqui do interior, contra a galera que vem de Curitiba, São Paulo, Bahia, Cuiabá, Belo Horizonte. É interessante que o pessoal chega aqui, conhece toda a magia do interior e descobre que não é só na capital que existe hip hop”, contou.

+Escute a entrevista com o Alisson Onilio na íntegra:

Reafirmando o destaque da cidade na propagação da cultura hip hop, Mr-Fe elogiou os produtores da região, parabenizando a qualidade artística presente em Maringá e no Paraná.

“Fico muito feliz em ver cidades como Maringá, que apesar de pequena, média para pequena, são culturalmente muito fortes. Existem pessoas que conhecem muito bem do que estão falando aqui, não só no meio do hip hop, mas no meio da música eletrônica, do rock. O rock por aqui é fortíssimo, então, a gente só vê perspectivas boas para Maringá, Sarandi e região. Sempre vi muita coisa legal acontecendo por aqui”, afirmou.

+Escute a fala do Mr-Fe a na íntegra:

O Gerente da Juventude de Maringá, Adriano Bacura salientou a importância de eventos como o Soul Breaking em Maringá.

“Estamos fomentando a cultura, dando enriquecimento para a raiz, onde ela já está brotada. A ideia é: temos várias gerações unidas, então estamos lutando para fazer com que os novos aprendam técnicas com os mais velhos, e assim vai”.

+Escute a entrevista com o Bacura na íntegra:

Nesta edição do festival, as competições foram de batalhas de breaking e de MC’s, além de uma categoria de dança para as crianças. Abaixo o resultado:

  • Breaking Battle 1vs1 | Wilsinho/Curitiba
  • MC Battle 1vs1 | Drop/Sarandi
  • Seven to Smoke Kids | Vitinho/Apucarana

Confira a a final do Breaking Battle 1vs1

No canal do Soul Breaking você pode conferir os estilos de dança dos competidores.

 

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