Por uma celebração à música, às canções, aos poucos – mas ainda existentes – pedágios com passagem livre, às pessoas, ao coletivo, ao do it together, aos encontros e ao olho no olho, Larissa Conforto (bateria e vocal, Ventre) e Vitor Brauer (guitarra e vocal, Lupe de Lupe) embarcaram pelas estradas do Brasil, desde o dia 26 de julho, com a turnê “Sem Sair na Rolling Stone – Estrada Furiosa”.

Com coragem e sangue nos olhos, a dupla enfrenta a dura e crua realidade de uma turnê de banda independente brasileira, e chegam a Maringá nesta quinta-feira (9), para tocar no Tribo´s Bar, a partir das 19h.A festa ainda conta com apresentação de Totorinho (Douglas Shiozaki), com participação de Ricardo Farias (Banda Cambaia), revezando entre guitarra, teclados e bateria, tocando “Cambaia e coisas que a gente gosta”, de acordo com o próprio Shiozaki.

Dois meses na estrada: mais de 30 datas, mais de 10 estados em quatro regiões do país. Esse é o objetivo da quarta edição do projeto “Sem Sair na Rolling Stone”, de Vitor Brauer. A bordo do Interceptor (Corsa Wind 96), o duo vai rodar milhares de quilômetros, fazendo releituras dos trabalhos dos dois músicos: Ventre, Lupe de Lupe e Xóõ (banda em que tocam juntos).

“Mas o formato é em duo, então a gente simplificou algumas músicas, fez algumas versões. Eu estou usando a SPD para botar efeito, estava fazendo loop, mas achei que perdia um pouco a coisa de ficar orgânico, então estou evitando loop e estou usando alguns recursos, alguns backing vocals, alguns violinos da Xóõ, uns samples”, relatou Larissa, enquanto partiam de Florianópolis (SC) para Santa Maria (RS), sempre a bordo do renovado Interceptor.

Larissa Conforto e Vitor Bauer

O projeto de Vitor Brauer foi iniciado em 2015 e contava com a companhia da banda Lupe de Lupe. No ano seguinte, foi a vez de Jonathan Tadeu se juntar a turnê “Sem Sair na Rolling Stone”, que, inclusive, também passou aqui por Maringá. Em 2017, também chamada de “Férias da Desgraça”, contava com o projeto paralelo de Vitor, o trio chamado Desgraça. A baterista Larissa Conforto ganhou fama ao participar da banda Ventre, atualmente em momento de hiato. Sua energia no palco a levou a tocar com Tiê, Thiago Pethit, Bel Baroni, Papisa e My Magical Glowing Lens, entre outros.

Um dos representantes da chamada “Geração Perdida de Minas Gerais”, Vitor Brauer ficou conhecido no cenário nacional quando participou da banda Lupe de Lupe, da qual é vocalista e principal letrista. Atualmente, se dedica também à carreira solo e à banda Xóõ.

Enquanto não trocavam ideias sobre composições e outras coisas da vida ou escutavam músicas árabes, francesas, chinesas, japonesas, rap da Nova Zelândia, reggaeton, músicas de amigos ou um “audiobook do ‘Game Of Thrones’ em português, muito mal traduzido pelo Google Translator”, Larissa conversou com a Circular Pocket, e também psicografou algumas respostas de Vitor.

Leia e escute:

Contem como surgiu a ideia de fazer a quarta edição dessa turnê, com Larissa Conforto e Vitor Brauer.

O Vitor já fez essa turnê, “Sem Sair na Rolling Stone” três vezes, tinha acabado de voltar da turnê com a Desgraça e parou no Rio de Janeiro para gente terminar o disco da Xóõ, que é a banda que a gente tem junto. A Ventre já estava nesse papo de pausa, eu estava planejando ir para Europa, pensando em ficar por lá talvez, e já tinha um tempo que a gente queria fazer coisas juntos.

Ele foi passar um tempo lá em casa no Rio de Janeiro e surgiu essa ideia da gente juntar o útil ao agradável e sair por aí fazendo essa turzinha. Lá mesmo a gente faz um roteiro, já começou a planejar. Fui e voltei da Europa, quase que fiquei, quase que cancelei a turnê toda, mas estamos aqui fazendo, está sendo quase como uma despedida desse brasilzão da Deusa.

Como surgiu o nome da turnê, “Sem Sair na Rolling Stone”, ainda lá em 2015, com a Lupe de Lupe? 

Para responder essa segunda pergunta eu vou psicografar as respostas de Vitor Brauer, que está, nesse momento, impossibilitado de responder entrevistas, segundo seus ancestrais. Já faz um tempo que ele não responde entrevista nenhuma, então eu agora vou ser sua porta voz oficial da turnê “Sem Sair na Rolling Stone Nº 4”. Esse nome surgiu lá em 2015, com a Lupe de Lupe, ele traduz um pouco do espírito do it yourself.

As pessoas em geral, o Brasil, um pouco que fantasia a ideia da turnê. É uma visão um pouco deslumbrada do que é a realidade de uma turnê. E a gente acha que precisa de um booker, precisa de um assessor de imprensa, de uma pessoa para fazer isso, mas na verdade é só a gente lidando com gente, banda falando com banda, e a gente consegue rodar o Brasil inteiro assim. E quanto mais pequenas bandas e produtores e organizações se juntarem, se organizarem, mais a gente vai ter, mais fácil a gente vai ter uma corrente que ligue o Brasil inteiro, que a gente possa fazer e todas as bandas possam fazer.

Então, é meio que para incentivar mesmo. Não precisa de revista Rolling Stones, não precisa de nenhum veículo grande noticiando para você fazer uma turnê bem sucedida, para você ter gente te vendo, para você vender camisa e conseguir bancar sua vida com música. Então, essa turnê tem fins financeiros, claro que também é para levar a música para outras pessoas, para outros lugares, que às vezes são inacessíveis, que só são possíveis com uma turnê.

Não daria para o Vitor sair de Belo Horizonte e eu sair do Rio de Janeiro para ir para Santa Maria (RS), por exemplo, e voltar. Mas como está no meio do percurso, faz muito sentido esses pequenos shows. E só faz sentido por isso. E acaba sendo rentável tanto para a cidade, quanto para os produtores e para os músicos por isso.

Então, (o nome da turnê) é meio que para despertar esse espírito adormecido do do it yourself. Eu sempre falo, agora como Larissa e não como Vitor, na ideia do do it together. É a ideia do do it yourself, que é “faça você mesmo”, reciclada para um novo momento de cultura do compartilhamento, da cultura da colaboratividade. Então, é um momento de “façamos juntos”. Essa turnê tem muito isso. Acho que é 100% esse espírito.

E o subtítulo dessa quarta edição, “Estrada Furiosa”, como surgiu?

De novo, quem responde aqui é o Vitor Brauer, em nome de Larissa Conforto. Esse subtítulo, “Estrada Furiosa”, surgiu baseado no filme “Mad Max”, o qual Larissa não assistiu até hoje. Inclusive, ontem (03/08) estávamos em Floripa e ele estava passando e eu não vi de novo. Enfim, eu tentei assistir umas cinco vezes e dormi em todas. Dizem que é ótimo o filme, ficaram não sei quanto tempo filmando no deserto.

O Vitor adora e aí ele já tinha essa imagem na cabeça dessa turnê, até a gente fez a foto no carro. Essa foto do pôster foi baseada numa imagem que é o pôster do filme “Mad Max”. A gente, inclusive, usou a fonte do cartaz do filme, embora se pareça muito com o disco “Goo” (1990), do Sonic Youth, que eu amo, que é minha vida, uma das minhas maiores influências. Não, teve origem lá no “Mad Max” por causa de Vitor Brauer, grande gênio, grande cérebro da música e do cinema. Rs.

A arte é de quem? Está ligado a capa do “Goo” (1990) e o filme “Assassinos por Natureza”?

Massa você ter perguntado isso, porque eu já citei o “Goo” na resposta anterior. Sim. Sim e não, na verdade. A primeira ideia foi do “Estrada Furiosa”, do “Mad Max” mesmo, mas é claro que a gente sentiu um pouco dessa atmosfera do “Goo”.

O que une esses três pontos é um pouco dessa dualidade, do feminino e o masculino, os dois juntos em uma grande aventura, a coisa do carro. Eu acho que tem esse espírito nessas três obras que a gente está citando, e também na turnê. E também no “Mad Max”.

O próprio Mad Max é um personagem que tem poucas falas, que aparece menos do que a personagem feminina. No Sonic Youth tem um pouco disso, do protagonismo feminino e do antagonismo entre os dois. Qual o papel de cada um ali, os dois são muito importantes e alguma coisa de competição junto com a ideia de que os dois estão juntos, são parceiros em uma grande aventura. Está tudo meio traduzido ali, na expressão, na pose, na coisa do carro, enfim. De alguma maneira, estão os três traduzidos ali nessa imagem.

A ilustração é do André Persechini (Pepo Estudio). Cara foda, ele que fez as ilustrações de todas as edições da turnê. A gente tirou fotos especiais para ele usar nas ilustrações. O Vitor tirou uma foto no carro, eu tirei essa foto virada. Existem as fotos originais disso aí. Rs.

A turnê continua sendo feita com o Corsa Wind 96?

Sim. A turnê continua sendo feita com o Interceptor, que é o nome dele. É um Corsa Wind 96, azul. Muito querido, muito maravilhoso, e agora está renovado. Acabou de passar pelo ano novo Maia, depois desse eclipse lunar ele está novo de novo. Seu motor foi reconstruído pela força da lua. Interceptor está mais jovem que nunca, como as velhas bruxas que sugavam almas dos jovens para rejuvenescer. É o elixir da nova vida, é a pedra filosofal!

Como tem sido a turnê até agora? Como foram os primeiros shows?

Muito lindo maravilhoso gostoso vitaminado esplendoroso perfeito. Hoje, eu ouvi dizer que um amigo nosso falou por aí que essa turnê ia dar muito errado. Que não ia, não ia dar, porque são duas pessoas muito difíceis, são duas pessoas muito fortes fazendo turnê. Que nada, gente. A gente é muito amigo, se ama muito, não tem nenhum conflito, é só felicidade. A gente fez o nosso sexto show ontem (3) em Floripa e estamos agora na estrada para Santa Maria (RS).

Amanhã a gente vai fazer Porto Alegre (5) e logo mais estamos chegando em Criciúma (7), Joinville (8), Maringá (9), Campo Grande (10) e vamos voltando para o Sudeste, para colar para o Nordeste. Está sendo lindo, muito emocionante, as pessoas muito abertas. Muita gente vem falar com a gente, agradecendo pelo show, contando suas experiências de vida e como essas canções mudaram a vida deles e trouxeram coisas boas. Então, no fundo é sobre a força da canção, sobre o poder da música de transformar a vida das pessoas.

Não é sobre Larissa ou Vitor ou Lupe de Lupe ou sobre a Ventre. É sobre o poder da música mesmo, como ela une, como ela transforma, como ela modifica todo mundo, inclusive a gente. Então, está sendo tudo maravilhoso. Tudo muito inédito, muito novo, ainda estamos acertando o show, mas a gente está muito, muito feliz.

Como vocês definiriam o som de vocês dois nesse duo?

A gente é fã um do outro. Eu gosto da banda do Vitor, o Vitor gosta da minha banda, a gente gosta dos trabalhos que a gente toca e a gente é amigo há muito tempo. Então, tudo isso se traduz na música, no momento que a gente toca. A gente sentou para fazer um setlist com um repertório que representasse todos os nossos trabalhos, mas de uma forma que a gente se sentisse bem. Então, eu escolhi músicas da Lupe de Lupe que eu gosto e também que o público estava pedindo e ele também escolheu música da Ventre que ele gosta e acha que devia tocar e que o público estava pedindo.

A gente tentou mesclar e juntou algumas da Xóõ e acabamos não incluindo Desgraça nessa tour, porque se não ia ficar muito grande o show, já está bem longo. A gente tem umas opções de bis às vezes, quando dá, quando não dá. Mas o formato é em duo, então a gente simplificou algumas músicas, fez algumas versões.

Eu estou usando a SPD para botar efeito, estava fazendo loop, mas achei que perdia um pouco a coisa de ficar orgânico, então estou evitando loop e estou usando alguns recursos, alguns backing vocals, alguns violinos da Xóõ, uns samples. E os efeitos na SPD e o Vitor está “splitando” (oitavando) a guitarra dele, então sai uma via para o baixo e uma via para a guitarra. Mas são tudo versões, em dupla, a gente não quer fazer igual a realidade. A gente também nem teve muito tempo para ensaiar. Isso aqui é uma celebração à música, às canções, e não a…. Passagem livre, gente! É um pedágio com passagem livre! Lula livre!

Falando da dupla, como vocês se conheceram?

Foi na música. Na verdade, eu não gostava muito de Lupe de Lupe, não. O Hugo (Noguchi, baixista da Ventre) gostava muito e eu tinha uma produtora na época, eu fazia uns eventos lá no Rio de Janeiro, e tinha uma festa chamada “Domênica”, que era todo domingo, e a gente sempre fazia duas bandas locais e uma banda de fora. Aí, esse meu amigo que fazia o evento falou, “Vamos chamar a Lupe de Lupe, é uma banda foda”. Eu falei, “Bom, vamos chamar, né. Mas eu não gosto. Ouvi e não gostei, achei nada a ver. Vitor desafinado, não entendi nada daquilo, o que que é aquilo?”

Aí, para valer a pena, mesma coisa que eu disse antes, para valer a pena para eles irem para o Rio, para tocar no domingo, a gente tinha que fechar outras bandas antes, sábado e sexta. Então, a gente acabou fechando um show com a Ventre, foi de Lupe de Lupe e Ventre em Volta Redonda (RJ). Fechamos tudo isso por e-mail. Tinha um pessoal de Volta Redonda que estava querendo fazer a Ventre, a Lupe de Lupe estava precisando da data, eu indiquei, a gente fechou lá.

Foi um show num estúdio, foi maravilhoso, uma banda muito massa chamada Camille Claudel Quartet, um pessoal foda de Volta Redonda. Aí, foi nesse dia que a gente se conheceu de verdade. Eles não estavam conseguindo chegar em Volta Redonda e a gente buscou eles de van, numa rodoviária, a van quebrou, deu mó confusão esse dia, mas chegamos salvos no Rio e eles ficaram lá em casa. Aí começou essa grande amizade, de muitos anos. Isso foi em 2012, nem tinha disco da Ventre, não tinha nada. Foi isso, rolezinhos da vida.

Estão surgindo composições desses dias juntos?

Nossa, que pressão, né? Rs. Na verdade, a gente estava falando disso agora, há pouquinho tempo. Sobre fazer música juntos, sobre o processo criativo de cada um e com certeza vai sair coisa aí. Assim que a gente conseguir parar. Essa é a segunda semana de turnê, a gente mal tem tempo para viver. O Vitor ainda está produzindo o próximo disco da Lupe, então o tempo todo que a gente consegue parar ele está pensando nisso, tentando mixar ali as faixas, gravar alguma coisa.

Mas a gente tem pouco tempo, a realidade de uma turnê é que a gente acorda cedo, passa o dia inteiro viajando, chega na hora de tocar ou na hora de passar som, fica na lojinha, acaba de tocar e fina na lojinha, fecha tudo, vai para casa, dorme cedo de novo, para poder viajar no dia seguinte. E como a gente está tendo show todos os dias, o próximo dia de descanso é na segunda (6) e depois também não tem descanso sete dias. Enfim, a realidade não é tão bonita quanto parece, mas teremos, sim (composições juntos). Porque não tem como não ter, né, gente? Dois meses juntos na estrada, é impossível não ter música nova. Vai rolar, vai ser mara.

Como veem a evolução da cena brasileira de bandas independentes nos últimos anos?

Em nome do Victor, eu devo dizer que eu enxergo o cenário brasileiro de bandas independentes como crescente. Acho que cada vez mais bandas estão se profissionalizando, cada vez mais lugares, cada vez mais coletivos e pequenas organizações, circuitos e está ficando cada vez mais positivo. E como Larissa, eu devo dizer que eu sinto que tem ondas. Já tiveram momentos muito bons, há 20 anos, já tiveram momentos muito bons há 5 anos e eu acho que o advento da internet, as novas ferramentas de divulgação de internet, estão tornando essas ondas cada vez mais compridas e definitivas.

Antigamente a gente tinha circuitos que eram feitos por uma ou duas pessoas, o mesmo grupo, tinha um monopólio ali dos circuitos. Eram sempre os mesmo produtores ou a mesma produtora ou o mesmo coletivão, que era uma porrada de produtores juntos, unidos, com um nome só. Isso, agora, está muito mais democrático, está mais aberto. Hoje em dia é mais viável cada um fazer um pouquinho na sua localidade e do seu jeito, do jeito que acha certo. Os nichos estão um pouquinho mais divididos e cada artista consegue encontrar o seu lugar de forma mais definitiva, é menos padronizado. Acho que está mais florido, mais diverso. Está bem florido, está bem colorido, rs.

Mas, ainda é um desespero, ainda é difícil de fechar conta. A gente ainda tem que ser muito criativo, tem que ser muito sangue nos olhos e tem que acreditar muito. Tem que matar no peito e acreditar e fazer, sem duvidar. Porque se você parar para duvidar, aí que o trem breca. Mas é isso, muitas e muitas bandas boas e, também, pequenos festivais, isso vai profissionalizando a galera. Muita oficina, processo de formação de profissionais. Galera que já trabalha na área está ajudando as outras pessoas a se profissionalizarem, e é importante isso, esse processo para o brasileiro, num país onde a cultura sobrevive muito as custas do Estado, de patrocínio. É importante que a gente comece a fazer de forma anarquista mesmo, por si só, comunitária. Está bem lindo.

A turnê tem datas marcadas até 6 de outubro. Tem mais datas para confirmar?

A turnê começou dia 26 e vai terminar um pouquinho antes, na verdade. Dia 30 de setembro, porque acabou que eu entrei numa gig nova no meio do caminho e precisei remanejar alguns shows. Mas, pode ser que a gente estenda aí e faça alguns shows depois dessa minha outra turnê, antes de eu ir embora para Europa. Então, é possível, sim, que tenha mais datas.

A gente até fechou uma data nova em Campinas (SP). No longo do caminho tem umas datinhas soltas, livres, que a gente a vai preenchendo, com certeza. Tipo, Campinas foi tão massa, que a gente já fechou uma data na volta, quando a gente voltar para São Paulo. Esse tipo de coisa sempre vai acontecer e a gente vai avisando nas redes sociais.

O que está rolando de som no carro, durante esse tempo de viagem?

Maravilhoso. Essa pergunta é incrível. Nós temos dois cartões de memória. Um deles com músicas árabes, francesas, chinesas, japonesas, tem rap da Nova Zelândia, tem reggaeton, tem as bandas dos nossos amigos. É assim, 32 GB de pura emoção. A gente bota aqui no shuffle, o Vitor aqui me disse agora aqui na minha cabeça, ele que se apossou da minha pessoa agora para me dizer esse nome. Então a gente bora no shuffle, no random, aleatório e aí quando cai às vezes um disco muito bom a gente ouve o disco inteiro.

Outro dia ouvimos o do Outkast, do início ao fim, Chico Buarque, ouvimos aquele, como é o nome daquele… reggaeton, gente, como é que é o nome (devia estar falando com o Vitor na cabeça dela), J. Bom, J. Balmi (J. Balvin, pesquisei e deve ser esse). Jesus, não sei a porcaria dos nomes, não sei nome de nada. Mas ouvimos. E por aí vai. Ouvimos também a Kate Tempest, uma grande rapper lá de Londres, que eu conheci e estou apaixonada, ouçam. Mas vai do rap ao funk, literalmente. Do Japão até Ushuaia. E o outro cartão de memória é muito curioso, mas é o audiobook do “Game Of Thrones” em português, muito mal traduzido pelo Google Translator.

Vale a pena conferir pessoal, estamos na terceira temporada agora. Já passou o casamento vermelho lá. Enfim, muito boa essa história, gente, aconselho. E aceitamos dicas também, quem quiser nos presentear com chips com novas músicas independentes da galere, estamos aceitando, estamos abertos a todo tipo de música e arte.

Quais os planos de cada um para depois dessa turnê?

Vitor Brauer pretende descansar, lá em Belo Horizonte (MG), sua terra, com sua companheira maravilhosa, que eu amo muito. Não vou citar nomes, porque, né, é indevido, mas beijo, querida. Te amo. E além disso, ele tem disco da Lupe de Lupe para lançar, que está sendo produzido aqui, durante a turnê, muito louco. Está mara, gente, ouçam. E tem uma turnê com a Desgraça no fim do ano e é isso, por enquanto. E as nossas músicas, porque a gente vai lançar.

Agora, eu estou muito louca. Larrisa Conforto, eu vou acabar a turnê dia 30 de setembro e vou entrar numa turnê com um cantor, cantautor, lá do Rio de Janeiro, que ainda não vou revelar o nome, mas em breve todos saberão. Eu vou ter feito uns shows com ele no meio da turnê, vai ter Rio e São Paulo em setembro. Dia 2 de outubro eu vou para Argentina e depois Uruguai, fazer uma turnezinha lá, estou querendo ver se gravo umas músicas, estou tentando produzir um disco aí, juntando uns pedacinhos de um grande mosaico.

Tenho um outro projeto com duas amigas, que é um trio de música latina, a gente mistura ritmos latinos e faz versões de grandes canções de dor de cotovelo em espanhol, português e inglês. Esse projeto vai sair, com certeza, chama Beatas Beat. Tenho um EP do Tretas para lançar, que é minha dupla com a Nathanne Rodrigues, lá do Rio. E juntar muito dinheiro para passar um tempinho na Europa, produzindo trampos. Então, quem quiser me chamar para gravar, fazer participações, estou precisando, preciso vender todas as minhas coisas para isso, rs. Brincadeira, não, é isso. Sigo aprendendo, aberta a novas propostas e pesquisando música latina à beça.

Saindo um pouco da turnê e do papo musical (ou não). Como veem a situação do país em 2018?

É importante falar sobre isso, né? Eu nunca tinha saído do País antes, para tão longe, só tinha dado um rôle aqui pertinho, pela América Latina, e a gente rodou muito o Brasil. E depois que eu voltei desses dois meses que eu fiquei na Europa, eu consigo enxergar o tamanho da bosta. Quando a gente sai de dentro da bosta, a gente consegue sentir o cheiro.

É muito obscura a situação, está difícil enxergar a luz no fim do túnel. Todos os lados é um tiroteio de informações, de pessimismo, de tristeza, mas também acho que são nesses momentos que a gente para de acreditar num grande herói que vai salvar a todos, num messias, e começa a perceber que só a gente pode mudar a nossa realidade. Apesar de eu ser claramente “Lula Livre” e claramente com posições de esquerda, eu me considero mais anarquista do que left-wing, de esquerda. Eu realmente acredito no poder e na força das pessoas, na auto organização, na colaboração e na coletividade.

Então, eu acho que o lado positivo disso, para além das eleições, é que as pessoas estão se unindo para se ajudar, porque percebem que o sistema eleitoral e o sistema político não resolvem os nossos problemas. Principalmente, (esses sistemas) burocratizam os nossos problemas, a resolução deles. E entendendo isso, a gente também consegue lidar com a política de uma outra maneira.

Agora, falando de eleições, muito triste os candidatos, muito triste a situação do Lula. Tem certos crimes que, antes de serem cometidos, já tem o culpado. E a gente sabe que é tudo uma grande falcatrua, as pessoas que regem esse País são muito poderosas e estão por trás de muitas coisas que a gente não vê, de grandes organizações e tem muito mais poder do que a gente imagina. Então, seja lá quem for que ganhe, o que aconteça, no fundo do coração a gente vai estar sempre torcendo para que o povo se organize, se olhe, se observe, perceba nossas reais dificuldades e olhe para o outro, e possa entender que enquanto o problema do outro não for resolvido o seu problema não vai ser resolvido também. Acho que é isso, a gente tem que ter esperança, se não, para que viver, né? E a gente tem que ter força, tem que estar unido.

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