Foto: FENDA

O rapper maringaense Arthur Castilho, 27, encontra no personagem TUTU a liberdade de criação e, produzindo, afirma sua identidade “pé vermelha”, do interior do Paraná, lembrando sempre das raízes dos ancestrais nordestinos.

São essas raízes que dão ao músico a capacidade de enxergar diferentes percepções e significados sobre a vida, que ele imprime no trabalho de estreia, Efeito.

“Eu acredito que cada artista deixa o que foi naquele momento. No show, o artista canta o que já foi. Por isso, eu acredito que TUTU é só um personagem, ao mesmo tempo que é a minha verdade, mas a verdade do que já fui”, explica.

Em 20 minutos, o disco engloba diversos assuntos contemporâneos, divididos em sete faixas. De forma poética e sem medo de brincar com os sons e significados das palavras, TUTU mostra como a ancestralidade, a política, a natureza e o urbano são, ao mesmo tempo, elementos que nos formam como ser humano.

“Os jogos com sons e significados das palavras vem do exercício de enxergar a mesma coisa com outros olhos. O disco é muito uma questão de percepção e ressignificação do momento, no mesmo tempo e espaço. De como os assuntos podem ser absorvidos de diferentes formas”, explica.

A partir das referências musicais, é incontestável dizer que Efeito é um álbum de música popular brasileira feito por um rapper. Inspirando-se, principalmente, em Nação Zumbi, Criolo e BaianaSystem, as sete faixas passeiam pelo brega, forró, bossa nova e músicas afro-brasileiras. O rap, porém, sempre apontando o norte. Em “Abelha”, inclusive, TUTU
aproveita para homenagear o gênero e todo movimento hip hop, convidando os integrantes Lubs e Greg, da Manada Crew, para rimar.

“Essa música foi o meu convite a quem me inseriu no rap, me mostrou o que você faz com o movimento hip hop para que ele seja o movimento, com o respeito a cada elemento. Abelhas são as maiores polinizadoras do mundo e eu acredito que isso precisa ser polinizado, o rap”, pontua.

Na capa do disco, produzida por Carol Dantas, o cavalo ilustrado pela avó do músico, Odila Galdino, é peça simbólica e importante. Não só pela ligação familiar, mas também por carregar a analogia entre o cavalo e os sentimentos:

“Os pensamentos são cavalos. A rédea está na mão do eu superior, que está guiando os pensamentos. A meditação vem para cessar ou tranquilizar os movimentos dos cavalos”, explica TUTU.

Menos de meia hora de música dançante e pensante, para que cada ouvinte possa perceber e ressignificar a própria existência. Pois, como disse Fernando Pessoa: “Tudo quanto vive, vive porque muda; muda porque passa.” Com a vida em constante transformação, TUTU nos auxilia a enxergar um novo sentido em cada elemento que nos forma como ser humano. Ouça:

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